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Airton Nogueira Pereira Jr.

Turismo de Nova Geração

O turismo, importante vertente da economia mundial, evolui historicamente a partir de tendências da demanda. Desta forma, para o contínuo crescimento do setor, faz-se necessária nossa atenção ao mercado das tendências futuras, especialmente quando se comprova a hipótese de que, no contexto da pós-modernidade, o consumo turístico não mais se restringe ao valor contemplativo de um destino, ou a dados e informações relevantes sobre o mesmo, mas envolve elementos carregados de simbologias e estímulos emocionais.

Fazendo uma breve retrospectiva da evolução econômica das sociedades, percebe-se que as mudanças atuais são imensamente maiores do que as ocorridas nos últimos 50 anos. Da sociedade agrária, que perdurou por 100 mil anos, passou-se à era indústria, predominante por 150 anos, e desta à sociedade da informação, com sua lógica prevalecente. No quarto panorama de sociedade, os grandes valores econômicos estão relacionados a experiências, sonhos e desejos que precisam ser realizados. Para a superação das expectativas individuais dos consumidores ou turistas, entram em cena não apenas recursos de alta tecnologia, mas também o resgate de situações ou contextos histórico-culturais valorosos.

O panorama que tende a predominar pressiona, portanto, para a diversificação das ofertas turísticas, fazendo com que certos produtos tradicionais, mesmo sendo de consumo massivo, gradualmente percam sua importância. Assim, decisões estratégicas de mudança de procedimentos implicam adequar produtos e serviços a eventos memoráveis, experiência surpreendentes e únicas, num novo exercício de saber e fazer, envolvendo empresários, governos, profissionais e pensadores acadêmicos. Experiências em vários países demonstram que, ao se desenvolver o turismo de nova geração, a segmentação é uma das estratégias capazes de influenciar a estrutura da oferta,possibilitando sincronizar esforços de marketing.

O conhecimento acerca do mercado turístico, quantitativa e qualitativamente por meio das melhores metodologias, ferramentas e técnicas projetivas, permite a identificação de grupos ou nichos de mercado com base nas atrações preponderantes do ambiente, mas remodeladas a estímulos, necessidades, gostos e preferências daqueles. Associado a isso, o fenômeno da personalização que se observa, altera igualmente os procedimentos de gestão tradicionais e a visão de cultura empresarial.

Neste contexto, deve-se falar em marketing emocional, uma atitude voltada ao desenvolvimento de vínculos duradouros com os clientes, imprimindo um valor afetivo à relação existente. A Economia da Experiência já iniciou seu avanço gradual sobre o planeta, e certamente o turismo despontará como o mais memorável de todos os setores econômicos.

E nesse cenário que relaciona o lúdico à indústria do futuro, temos a Região Uva e Vinho, nas Serra Gaúcha, construindo sua marca diferencial e inovadora, aproveitando de sua cultura, história, natureza e do que oferece de melhor para fazer da realidade local o sonho tão buscado pelo consumidor. Secretário Nacional de Políticas de Turismo

Luiz Carlos Barboza

SEBRAE e Economia da Experiência

O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas trabalha pelo desenvolvimento sustentável das empresas de pequeno porte e vem estabelecendo instrumentos e mecanismos de coordenação e avaliação de desempenho das ações executadas, bem como identificando, selecionando e desenvolvendo metodologia e tecnologias que visam à ampliação dos pequenos negócios.

O avanço tem sido demonstrado a partir da consolidação de um modelo de gestão baseado em resultados finalísticos, cujo foco são os resultados que efetivamente acontecem nas micros e pequenas empresas.

A partir do estabelecimento de uma plataforma de gestão compartilhada (SIGEOR), um software de gestão de projetos, baseado na internet, é possível observar uma gestão mais transparente de aplicação de recursos e do acompanhamento do trabalho realizado com os parceiros, empresários e sociedade.

Através do eixo de atenção focada para dar maior atenção aos resultados que ampliam a competitividade e a sustentabilidade dos pequenos negócios, houve o reforço a questões significativas para a Instituição, incorporando um modelo de visão estratégica e de longo prazo. Essa referencia em gestão aplica-se aos diversos setores produtivos nos quais o SEBRAE desenvolve SUS projetos, entre eles o setor de turismo.

Entendendo a realidade e o ambiente das empresas de pequeno porte, o SEBRAE idealizou, junto a parceiros como o Ministério do Turismo e o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares da Região Uva e Vinho, a realização de um projeto piloto no Rio Grande do Sul com enfoque na Economia da Experiência. A necessidade de distanciamento da comoditização da oferta turística, expressa nos conceitos da Economia da Experiência e Sociedade dos Sonhos, aponta para um novo caminho, no qual o foco dos negócios passa a ser a geração de experiências únicas.

Assim, entende-se que as empresas possam vir a reinventar-se, utilizando da capacidade e do conhecimento adquiridos para aprimorar sua relação com os clientes. Atuar em projetos inovadores como este significa incentivar a discussão sobre a geração de negócio a partir da agregação dos valores da genuína cultura local nos produtos e serviços das micros e pequenas empresas. O jeito de fazer, assim como as histórias contadas em cada destino, podem e devem ser a diferença para a realização de bons negócios, desta forma, o entretenimento e a interação fundem-se formando elementos de competitividade.

A partir da valorização da singularidade local, dá-se o fortalecimento da imagem do destino e, ao mesmo tempo, busca-se melhorar o gerenciamento na forma de utilização do marketing, comunicando a oferta de produtos e serviços de forma diferenciada, proporcionando um novo valor econômico. É necessário compreender que, ao reposicionar a oferta turística no mercado, os atributos passam a incluir conteúdos de emoção, de sentidos e o estímulo deve acontecer por meio do encantamento, da hospitalidade.

Para o SEBRAE, trabalhar com o conceito da Economia da Experiência no setor turístico significa o desafio de aprender e ensinar a materializar sonhos e vender emoções a partir de um trabalho que enfatiza também a cooperação través da formação de redes de serviço. Os empreendedores da Região Uva e Vinho, vivenciando esse desafio, hoje são capazes de oferecer experiências memoráveis, transformando a realidade de suas comunidades e encantando os seus visitantes. Diretor Técnico do SEBRAE Nacional

Bruno Silva

Região Uva e Vinho

“Viajei pela Região Uva e Vinho e conheci lugares muito interessantes, desde vinícolas simples até construções em forma de castelos. Mas uma coisa que gostei muito foi quando você chega nas pequenas vinícolas ou nos restaurantes e parece que as pessoas te conhecem há muito tempo, como se fossem grandes amigos de tão bem que você é tratado. No final você está chamando todo mundo de Nona e Nono!”

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